Mauro Marques nasceu em São João del Rei. Desde criança se interessou pela arte.
Nos cadernos de escola desenvolveu seu traço e deu liberdade a sua imaginação. Qualquer pedaço de papel, um toco de lápis e sua inquietude eram motivos para esboçar, desenhar histórias em quadrinhos, criar super heróis, era a arte sempre presente em seu mundo de criança.
Nos primeiros quadros feitos em cartolina coladas em chassis de madeira como se fossem telas, Mona Lisa era a sua musa, tantas ele pintou usando guache barato, mas com uma obsessão de um grande pintor. Em cada canto, sobre as mesas ou nas paredes suas pinturas pediam espaço. Depois da fase “Davinciana” se apaixonou pelas paisagens dando preferências ao por do sol de sua cidade que pintou as dezenas e presenteavas a quem gostasse delas.
Na fábrica de móveis de seu pai, entre formões, martelos e restos de madeiras se aventurou pela escultura, passavas horas tentando dar forma a pedaços de pinho, jacarandás, imbuias. Na rua onde morava, sua abstração era montar pequenos totens equilibrando pedras que catava pelas ruas sem pavimentação.
A partir de um trabalho escolar descobriu o desenho da propaganda e uma grande cumplicidade se formou. Começou a copiar os desenhos das embalagens, propaganda de revistas, fazer cartazes etc.
A morte de sua mãe, o apeou dessa fase e deu um novo rumo em sua vida. Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde descobriu as grandes galerias e museus tais como: o Masp, MaM, Pinacoteca, Lasar Segal etc, teve aulas na Escola Portinari.
Na famosa loja Michelangelo da Rua Afonso Pena, era frequentador assíduo. Conheceu vários artistas e familiarizou-se com a vasta gama de materiais de artes.
Aos 16 anos assumiu a uma vaga de diretor de criação de uma empresa embalagens.
Estudou publicidade e também desenvolveu técnicas de desenhos, ilustrações, humor etc. Nas suas andanças pela cidade sempre reservava algum tempo ir aos domingos na Feira da Praça
da República onde ficava fascinado pela arte do artista afro-brasileiro Moisés, que pintava grandes telas com cavalos livres usando espátula ou pincelas vigorosas e com uma liberdade que pareciam saltar para fora da tela. Esta influência o acompanha até hoje e como ele diz:
- “sinto necessidade de pintá-los como se fossem um mantra de liberdade para todo o meu processo criativo, seja na propaganda ou nas artes plásticas”.
Na volta para sua cidade, juntou ao grupo de artista da terra e fundaram a OLAV, - Oficina Livre de Artes Visuais (Antônio Emílio, Carlos Magno, Francisco Arruda, Jaime Vieira, Leandro Moura, Popó, Rita Hilário, Miguel Santana, Zé Ramos e Zeu Moura) que foi responsável por diversas manifestações artísticas pela cidade, como o resgate dos tapetes de rua em forma de esculturas de areia.
Participou de várias exposições, entre elas, a Exposição Edmundo Palhares. Em uma dessas exposições conheceu o sr. Vitor Bello, filho do famoso fotografo sanjoanense André Bello, uma grande amizade que resultou em encomenda de dezenas de bicos de pena dos casarios e igrejas de São João del Rei. Anos depois, voltariam a fazer contato para obter autorização para recuperar e reproduzir a fotografia panorâmica de São João del Rei feita por seu pai em 1917, um projeto em conjunto com Alzira Haddad e patrocinado pela Neuza Lombardi da Cultura. Usando o Photoshop, recuperou com habilidade tudo que havia se perdido, o resultado pode ser conferido no poster impresso.
Participou de várias coletivas no Museu Regional, Casa de Barbara Heliodora. Com os artistas Fábio Braga, Inaê, Jaime Vieira e Ternas fundaram o EntreArtes e realizaram várias exposições na Galeria Célia Vitral.
Hoje, Mauro Marques divide o seu tempo com sua agência de publicidade, consultoria e seu ateliê, onde pinta, esculpe, compõe e escreve.
Quem visita seu ateliê viaja entre óleos, aquarelas, bicos de pena, centenas de desenhos e descobre outra surpreendente faceta deste artista, as esculturas em que usa ferros e latões enferrujados recolhidos nas ruas nos quais molda explorando toda textura com rara habilidade, transformando-os em figuras que expressam liberdade, poesia e toda a inquetude de quem a arte representa a vida.
Começo a entender o seu retorno a cidade quando leio em primeira mão o livro de poesias que ele pretende lançar brevemente e que revelam o seu grande amor por esta terra.

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